COISAS PRA LEMBRAR DE ESQUECER

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produzido por rô fonseca

gravado na baticum entre março de 2013 e fevereiro de 2014

por rô fonseca e bruno pontalti

mixado por rô fonseca na baticum

masterizado por ricardo mosca no estúdio do mosca

participações especiais de Felipe julian, du moreira, ricardo mosca,

Marcelo effori, cuca ferreira, daniel gralha e douglas antunes

as letras de "ausência" e "cada vez mais triste" são poemas de fabricio corsaletti

intervenção na foto por daniel trench

 

a gente morre e renasce todo dia

 

pensei na morte sem querer

com uma espécie de alívio

precisei pensar de novo

pra não pensar nunca mais

quase uma idéia obrigatória

pra quem ta no meio do caminho

mas tem certeza absoluta de que o caminho acaba lá

foi pra poder saber o tamanho do meu medo

foi pra poder medir o tamanho da minha solidão

dizer adeus sem nunca ter se despedido

é crueldade de quem não tem compaixão

fui por meus pés na beira do abismo

pra ver de longe o que restou do meu coração

agora que você partiu entendi que não tenho medo nenhum

agora que você se foi, minha solidão ruiu

dizer adeus sem nunca ter se despedido

é crueldade de quem não tem compaixão

levei meus pés pra beira do infinito

pra ver de longe o que restou do meu coração

 

edu marin_voz, guitarra
rô fonseca_guitarras, baixo, bateria, violão nylon, shakers,

rhodes, sint e mellotron

coisas pra lembrar de esquecer

(dedicada ao sérgio silva)

 

quero esquecer

a bomba lançada, o corpo no chão

um tiro no olho

um na cara da velha

o rapaz de joelhos e o garoto no camburão

o cara de bici na grama

a fumaça subindo, mais gente no chão

o sangue lavando o cabelo

os olhos trincando

e a cara de raiva do cana com o porrete na mão

 

quero esquecer mas não vou

quero esquecer mas não vou

 

quero esquecer

a bomba estourada

o ferro na mão

o grito do cana

o medo da velha

o casal apanhando

o menino no camburão

a bici jogada na grama

o nego lutando, com a cara no chão

o asfalto ficando vermelho

a calçada voando

e a coragem do mano pedindo calma pro pelotão

 

quero esquecer mas não vou

quero esquecer mas não vou

 

 

edu marin_voz
ro fonseca_guitarras, baixo, rhodes e arranjo de sopros
ricardo mosca_bateria
cuca ferreira_sax barítono
daniel gralha_trompete
douglas antunes_trombone

 

vendo-me 

 

tenho um mar dentro de mim

tenho um sol dentro de mim

uma montanha dentro de mim

uma tempestade,

um furacão e uma curva de rio

tenho uma cidade dentro de mim

uma ponte

uma calçada

um meio fio

um som

uma lembrança vaga

tenho um mar dentro de mim

tenho um tempo que passou

uma ilha

e um sentimento de perda

 

 

edu marin_voz
ro fonseca_guitarras, baixo, rhodes, bateria, percussão e loops

 

não sou você mas quase fui

 

quatrocentas vezes te impedi

outras tantas vezes disse não

muitas outras vezes repeti

vou deixar de ser

casa, morada, um lugar

vento, açúcar e sol

noite, madrugada e sereno

vou deixar tudo lá

cada canto com seu segredo

cada quarto de hotel

todo traço de desespero

corpo, sossego e perdão

muro, escotilha, espelho

janela, pilar, maresia

não corro na porta pra olhar

não vejo você pelo espelho

não olho pra trás

respirei

 

 

edu marin_voz, violão nylon
ro fonseca_guitarra, baixo, rhodes, samplers, caixa

bilhete para um suicida

 

perdi você de vez naquela manhã

teu corpo frio ali já sem você

por que o silêncio assim

não se agarrar no amor

por que morrer enfim, na solidão

será que foi feliz

será que perdoou

será que me contou e eu não ouvi

triste canção

de amor e solidão

 

 

edu marin_voz, guitarra, vocais

ro fonseca_guitarra, baixo, rhodes
marcelo efforI_bateria

 

 

menino

 

olhando de lá

olhando de cima e de longe

ele é um ponto que passa

olhando daqui

o ponto é um homem que faz seu caminho devagar

vai descendo sem pensar

olha o céu de relance, fechou

salta para desviar

segue firme seu rumo

some no metro

olhando pra lá

por trás da vidraça

um homem que pede por favor

um outro que grita e se espalha

pra um monte de outros que esperam a vinda de um novo salvador

cruza a rua sem olhar

num instante ta vivo

noutro vira fumaça

senta para respirar

que cidade doída

que povo sem calor

olha só, meu amor, já faz tempo

que o menino sumiu

e ninguém nem notou

já faz tempo

que a cidade ruiu e ninguém notou

 

 

edu marin_voz
ro fonseca_guitarra, baixo, rhodes, bateria e arranjo de sopros

cuca ferreira_sax barítono e flautas

casco

 

é como um casco que derrete na água

que sempre o segurou

é um silêncio doído

é o silêncio do tempo

corroendo cidades, palavras, pessoas

se não é em silêncio não é o tempo

é a falta

é a farsa

é a raiva

é o destempero

Há muito tempo grito pra calar o silêncio que está dentro de mim

Há muito tempo grito pra calar o silêncio que está dentro de mim

 

 

edu marin_voz
ro fonseca_guitarras, baixo, rhodes, loops, moog, mellotron, shaker, samplers

marcelo effori_bateria

ausência

(a partir do poema "uma certeza" de fabricio corsaletti)

 

as crianças sádicas

e os panelões de sopa

são inofensivos

diante desta

gaiola vazia

 

a covardia e a coragem

a dignidade e a desonra

são variantes

da cor

da gravata

do palhaço

se comparadas a esta

gaiola vazia

 

eu posso amar

ou destruir

minha existência

– o que quer que eu faça

não altera em nada

a gaiola vazia

 

 

edu marin_voz

ro fonseca_guitarra, violão de aço, rhodes, mellotron, celeste,
samplers e vocais

 

cada vez mais triste

fabrício corsaletti, vini marson e edu marin

(a partir do poema "estou ficando cada vez mais triste" de fabrício corsaletti)

 

minha mãe está cada vez mais triste

minha irmã está cada vez mais triste

meu pai está cada vez mais triste –

embora esteja mais alegre também –

minha sobrinha está cada vez mais triste

e até meu cunhado está mais triste

se minha avó estivesse viva estaria triste

minha avó que está viva está muito triste

meus tios disfarçam mas é evidente

que sentem o rosto murcho de tristeza

sobre meus primos prefiro não falar

passam as noites definhando sobre a lua

e meu avô só não está mais triste

porque está morto e quando estava vivo

era o homem mais triste deste mundo

se eu tivesse um filho ele seria triste

se fosse a alegre ficaria triste

e mesmo que odiasse sua tristeza

nunca seria nada mais que triste

 

 

edu marin_voz

ro fonseca_guitarras, baixo, surdo, rhodes e arranjo de sopros

ricardo mosca_bateria

cuca ferreira_sax barítono

daniel gralha_trompete

douglas antunes_trombone

um dia

 

um poste um prédio um ponto um prego um pare um passe um pisa

um prende um pico um pau um porto um posto um poço um peixe um passo

 um peito um disse um diz um dá um deve um doido um dolo um dado

um dente um disco um dito um duto um drops um dia

desce a rua devagar

cruza a cidade sem medo

desce sem olhar pra trás

cruza a cidade sem medo

 

 

edu marin_voz e violão processado
ro fonseca_guitarras, bateria, baixo, rhodes, mellotron, flughelhorn
felipe julian_ ruídos, sint e intervenções sonoras

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